A [política da] arte de fazer panela de barro no Espírito Santo: tradições, política e reconhecimento
Resumo: A produção de artefatos cerâmicos no Espírito Santo constitui uma tradição de longa data. O discurso nativo das Paneleiras de Goiabeiras, certamente o polo ceramista mais conhecido do estado, remete a 400 anos de história. Já o primeiro registro histórico, de autoria do naturalista Saint-Hilaire (1974, p. 55), data de 1815. No entanto, a produção local de panelas de barro não se restringe a Goiabeiras. A partir da década de 1940, artesãos oriundos de Alagoas, Bahia e Pernambuco passaram a migrar para o Espírito Santo, dando origem a novos núcleos ceramistas em cidades como São Mateus, Vila Velha, Cariacica e Guarapari. Apesar da existência de diferentes tradições e polos produtores, apenas as Paneleiras de Goiabeiras obtiveram reconhecimento institucional. Em 2002, sua prática foi registrada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) no Livro de Registro dos Saberes, tornando-se o primeiro bem cultural de natureza imaterial reconhecido no Brasil e um dos elementos mais representativos da cultura capixaba. Considerando esse contexto, atravessado por interações entre grupos de artesãos e a esfera institucional nos processos de reconhecimento cultural, o presente projeto tem como objeto de análise a dinâmica cultural, o saber-fazer e, de forma mais ampla, a tradição ceramista da produção de panelas de barro no Espírito Santo, com ênfase nas distintas tradições existentes no estado e suas relações com as instâncias de reconhecimento institucional.
Data de início: 01/10/2025
Prazo (meses): 60
Participantes:
| Papel |
Nome |
|---|---|
| Coordenador | MARCELO DE SOUZA MARQUES |
