POR ENTRE ESSAS MARÉS: AGENCIAMENTOS NA PRÁTICA DA PESCA DE MURUADAS NA RESERVA EXTRATIVISTA DE CURURUPU - MARANHÃO
Nome: JERÔNIMO AMARAL DE CARVALHO
Data de publicação: 24/09/2025
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| ELIANA SANTOS JUNQUEIRA CREADO | Presidente |
| FRANCISCA DE SOUZA MILLER | Examinador Externo |
| FRANCISCO JAVIER ARAOS LEIVA | Examinador Externo |
| GABRIELLY MERLO DE SOUZA | Examinador Interno |
| WINIFRED KNOX | Examinador Externo |
Resumo: Esta tese tem como objetivo apresentar a prática de pesca de muruada, predominante na costa
amazônica, que abrange os estados do Pará, Amapá e Maranhão. A pesquisa situa-se na Reserva
Extrativista Marinha (REM) de Cururupu, localizada na costa norte do Maranhão, na região
conhecida como Reentrâncias Maranhenses. A muruada é uma modalidade de pesca que utiliza
a força das marés, na transição da preamar para a baixamar, permitindo, assim, que a enorme
força motriz dessas águas possibilite a captura de camarões brancos e sete-barbas (piticaia). Ao
contrário das pescas de camarão realizadas na costa sul, sudeste e parte do nordeste, que
empregam o sistema de arrasto, aqui, o sistema de pesca inverte a forma de captura. Por sua
característica de ser semifixa, precisa que vários múltiplos eventos/elementos, ou seja,
agenciamento em seu entorno para a efetivação da captura. Desse modo, evidencia-se, neste
sistema de pesca, uma radicalização do processo de agenciamento entre humanos e não
humanos em um mesmo “plano de consistência”, o que permite um entrelaçamento, ou
produção de malhas de relações (naturezas e culturas). A hipótese desta tese, propõe o sistema
de pesca de muruada como nó, ou nós, nesta malha de relações na qual ocorrem os
agenciamentos entre humanos e não humanos, ou naturezas e culturas. Ao situar as muruadas
enquanto nó/nós, observou-se que os pescadores, os quais denomino “povos da maré”, devido
a sua profunda interação com o ritmo das marés, estão inseridos em um sistema anímico,
entendido como uma ontologia presente nas relações humanas e não humanas com caráter
social. Assim, esses povos apresentam, em seu animismo, modos de relação com a natureza,
sendo os mais evidentes os de troca, predação e proteção. Acredita-se na existência de um
circuito de operação desses modos relacionais na pesca de muruada, o qual apresenta relações
simétricas e assimétricas, que podem refletir nas práticas sociais desses “povos das marés”
