DIFERENÇAS QUE PRODUZEM DIFERENÇAS: Ondas Ontológicas e os limites da escala humana
Nome: WITHER FAVALESSA DOS SANTOS
Data de publicação: 23/09/2025
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| EDUARDO VIANA VARGAS | Examinador Externo |
| ELIANA SANTOS JUNQUEIRA CREADO | Presidente |
| JOAO JACKSON BEZERRA VIANNA | Examinador Interno |
| JOSÉ ABDALLA HELAYËL-NETO | Examinador Externo |
| RAFAEL ANTUNES ALMEIDA | Examinador Externo |
Resumo: Esta tese emerge de uma travessia situada entre campos disciplinares e modos distintos de conhecer. Constrói-se a partir da convivência com físicos teóricos. Mas, também, como etnografia: um gesto de escuta, presença e escrita que busca tornar visíveis os modos como esses pesquisadores se relacionam com os mundos que tentam descrever, prever ou inventar. A experiência de campo, vivida no entre-lugar entre os regimes celestes da física e a materialidade cotidiana das instituições científicas, foi marcada por deslocamentos conceituais, afetivos e epistêmicos que exigiram um constante reposicionamento. A pesquisa não partiu de um objeto fixo, mas de um movimento gradual e poroso de aproximação. Buracos negros, ondas gravitacionais e a expansão cósmica surgiram como matéria cotidiana, atravessando discussões, cálculos, intuições e disputas. Nesse processo, a escuta das ondas gravitacionais tornou-se também uma figura de método: um modo de se orientar etnograficamente, atento não apenas ao que é dito com clareza, mas também ao que vibra nos ruídos, silêncios e hesitações. Inspirada pela metáfora da “onda de lama” (Creado e Helmreich, 2018), a pesquisa explora as ondas gravitacionais a partir de uma perspectiva que não separa sua dimensão material da simbólica. O trabalho de campo incluiu publicações e eventos do Núcleo de Astrofísica, Cosmologia e Gravitação (Cosmo-UFES), como o Cadernos de Astronomia dedicado às ondas gravitacionais, um minicurso on-line sobre o universo primordial e a Escola de Inverno de Astrofísica realizada em Matilde-ES em agosto de 2023. A etnografia destacou o
interferômetro como dispositivo que (re)configura a dinâmica do mundo, possibilitando reelaborações cosmológicas, e trouxe à tona o problema da escala, que evidencia a centralidade da escala humana nas ontologias científicas. Em vez de buscar sínteses ou reconciliações, a tese aposta em habitar as diferenças entre antropologia e física, fazendo delas um terreno fértil para pensar ciência, mundo e conhecimento.
